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Equilíbrio perdido

                No escuro, eu brigo com você. Tentamos decidir o que é certo a se fazer. Eu grito, você se cala. Você se tranca, eu me debato. Separados por uma parede, ambos apoiados nela, tentando nos apoiar.
                Tudo que passa em minha mente é a imagem de nós e aquelas bicicletas. Cada uma na sua. Andando juntamente, como um relacionamento. Uma mão no guidom e a outra segurando a sua mão... e você a minha, em um equilíbrio perfeito. Nenhuma intervenção, apenas o vento batendo em nossos cabelos, um sorriso largo e despreocupado. Quando caímos da bicicleta e tudo se tornou tão complicado?
                Quando eu me tornei inamável? Meu coração se debate dentro de mim, como em uma floresta perigosa, tentando se libertar. Contudo, a sua libertação é ter-te em meus braços? Quando eu me tornei tão solitária?
                A porta se abre. Não há palavras ou sorrisos. Nosso equilíbrio jamais irá retornar. Sei que meus olhos te percorrem ansiosos, mas tudo que vejo é suas mãos em meus cabelos com um sorriso fraco. Seus lábios permanecem cerrados e não se movem. Eu grito, pela última vez... Eu sei que é a última, pois suas mãos estão na mochila, jamais irei te ver novamente? Apenas diga que me ama...diga porque eu sou inamável...e não me deixe nesse piso frio...
                A porta se abre e você me olha. Continuo esperando. Seus lábios estão abertos, mas nenhum som saia deles. Talvez a resposta fosse dolorosa demais para ambos, por isso... nada disse. Apenas acenou uma última vez e desapareceu pela porta.
                Minha mente era um pântano onde ia se afundando em perguntas sem respostas. Minhas mãos passavam pelos cabelos na esperança de salvá-la de se afogar em sua loucura. Minhas mãos tentavam resgatar a minha mente.

                Minha mente ignorou o resgate e enquanto se afogava repetia várias e várias aquela mesma pergunta... Porque não pode dizer que me ama?



Agradecimentos especiais:
Sonia Vogado que deu uma rápida betada pra mim. Um dia eu pago todas as sua comissões de revisadora oficial da mari . Corações proce querida.
E um também para a dona Mary que sempre me influencia com uma musica super inspiradora que me poem nesse trabalho paralelo.


Agradecimentos normais e queridos para todos aqueles que leram. Quem deixar comentários sabe que será mais amado pela autora. ^~ 

2 comentários:

Sónia Vogado disse...

Não precisas de agradecer. Sabes que faço sempre com boa vontade e motivação e ajudar. E quanto ao conteúdo, como te disse antes, adorei a forma rápida e directa de como foi falado o sentimento da pessoa em questão. O Equilíbrio tem os seus momentos...não?

Beijos *

Mariana Cagnin disse...

Músicas são sempre ótimas pra escrever! Achei o conto super tocante, apesar de ser curtinho, tem um sentimento que evolui na medida certa. Muito bom, baby!