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Uma carta ao Senhor

O carro se movia lentamente, seu interior parecia frio, não por causa da época, mas pela ausência do calor humano tão conhecido daquele senhor. A carta lacrada permanecia no seu colo, enquanto suas mãos agarravam fortemente a bengala. Os olhos marejados, não permitiam que nenhuma lagrimas escorresse por aqueles orbitas.Quando já não havia movimento, os olhos esverdeados levantaram e viram a porta preta que pertencia a sua casa. A casa deles. Segurou a carta e saiu do carro com dificuldade, talvez, porque agora seu coração pesava mais.Entrou no apartamento, recusando-se a olhar as fotografias penduradas na parede. Apenas segurando a carta com carinho entre os dedos. Sabia que o filho lhe seguia preocupado e com o coração igualmente partido. Contudo, não houve como terem uma tarde agradável aquele dia. Esperavam lentamente o dia passar na companhia um do outro, enquanto o chá esfriava na frente deles. O menino sentia a necessidade de chorar, mas não o queria fazer, não na frente do pai. Seu filho, puxou seu orgulho. Uma conversa foi iniciada, pela necessidade de quebrar o clima tenso, e só havia um tópico para aquele dia: a mãe. O mais velho começou a falar das loucuras da mãe dele antes de se casarem. As festas, os vestidos apertados e elegantes, as viagens aos locais mais inusitados, a sabedoria escondida por detrás daqueles olhos castanhos, a delicadeza de um anjo por trás dos cabelos loiros. Conforme contava, iam sorrindo e conversando e relembrando bons momentos. Por um momento, um breve momento, esqueceram-se que ela não estava mais aqui, parecia um daqueles domingos que ele vinha nos ver e ela ficava cozinhando distraidamente enquanto falam de eventos do mundo.Quando o silencio caiu novamente, parecia pior, e mais denso, quase palpável. Eles não tinham coragem de encarar um ao outro, ou a cozinha. Desde então abandonada. A noite já tinha se feito presente e a escuridão dominava o aposento. O mais novo acendeu a luz e pediu comida. O mais velho disse que estava cansado e se retirou silenciosamente.Sentou-se na cama mirando ainda a carta lacrada, perguntand0-se o que estaria escrito ali. Afinal, a esposa já estava muito doente nos últimos tempos e seria muito complexo para ela escrever. Ao mesmo tempo que uma curiosidade o consumia, uma dor de abrir se estendia dentro dele. Após abrir a carta, já não haveria mais nada que trouxesse sua esposa de volta, mesmo que uma pequena parte. Enquanto aquela carta estivesse lacrada, uma parte dela ainda estaria viva naquela curiosidade.Algum tempo se passou, a dor permanecia dentro do senhor. Contudo, o tempo tinha um estranho jeito de consertar as coisas. A carta, contudo, permanecia lacrada na mesa de cabeceira do lado da cama. Intacta.  Até um dia. O senhor comia o seu dejejum com o rádio ligado, quando tocou a música do dia do seu casamento. Uma pequena dor foi gerada em seu coração juntamente com a batida da canção. Um medo tomou conta dele, de nunca saber quais tinham sido as últimas palavras da esposa. A caminhada pareceu uma eternidade, apesar de ser pequena usualmente. As mãos tremiam, e apesar dos olhos estarem secos uma dor constante continuava no ritmo da música. O papel meio amaçado foi sendo rasgado e a carta não era longa. Ele começou a lê-la ansioso... Ao final, suas mãos já tremiam e a carta estava junto ao peito, apertando contra si, enquanto falava o nome da esposa.“Querido Senhor,Quando eu for para o céu, deixe-me levar meu marido, e quando ele chegar diga-lhe que o deixei entrar. Por favor, esse é meu último pedido ao Senhor. Pois, de todas as graças concedidas a mim ele foi a melhor, pois me amou mesmo quando eu já não era jovem e bela, amou-me pela minha danificada alma...até o fim dos meus dias, justamente como ele me prometeu no dia do nosso casamento.Obrigada desde já ao Senhor e a você...querido!”-._.-._.>Muito obrigada a todos que leram. Gostaria de saber a opinião de vocês sobre a história. Estou tentando voltar a escrever e aumentar meu arquivo de pequenos e médios contos. Meu objetivo atual é de fazer mais historias relacionadas com o cotidiano, de períodos desde a infância até a velhice. Por isso, qualquer ideia que possa ser passada para uma dessas fases, eu vou agradecer..Correções Sonia Vogado (qualquer erro de portuga a culpa é dela. pode  culpar eu deixo xD ...brincadeira!!!)Inspiração: Musica do filme Gatsby Young and Beautiful - Lana del Rey


 

Equilíbrio perdido

                No escuro, eu brigo com você. Tentamos decidir o que é certo a se fazer. Eu grito, você se cala. Você se tranca, eu me debato. Separados por uma parede, ambos apoiados nela, tentando nos apoiar.
                Tudo que passa em minha mente é a imagem de nós e aquelas bicicletas. Cada uma na sua. Andando juntamente, como um relacionamento. Uma mão no guidom e a outra segurando a sua mão... e você a minha, em um equilíbrio perfeito. Nenhuma intervenção, apenas o vento batendo em nossos cabelos, um sorriso largo e despreocupado. Quando caímos da bicicleta e tudo se tornou tão complicado?
                Quando eu me tornei inamável? Meu coração se debate dentro de mim, como em uma floresta perigosa, tentando se libertar. Contudo, a sua libertação é ter-te em meus braços? Quando eu me tornei tão solitária?
                A porta se abre. Não há palavras ou sorrisos. Nosso equilíbrio jamais irá retornar. Sei que meus olhos te percorrem ansiosos, mas tudo que vejo é suas mãos em meus cabelos com um sorriso fraco. Seus lábios permanecem cerrados e não se movem. Eu grito, pela última vez... Eu sei que é a última, pois suas mãos estão na mochila, jamais irei te ver novamente? Apenas diga que me ama...diga porque eu sou inamável...e não me deixe nesse piso frio...
                A porta se abre e você me olha. Continuo esperando. Seus lábios estão abertos, mas nenhum som saia deles. Talvez a resposta fosse dolorosa demais para ambos, por isso... nada disse. Apenas acenou uma última vez e desapareceu pela porta.
                Minha mente era um pântano onde ia se afundando em perguntas sem respostas. Minhas mãos passavam pelos cabelos na esperança de salvá-la de se afogar em sua loucura. Minhas mãos tentavam resgatar a minha mente.

                Minha mente ignorou o resgate e enquanto se afogava repetia várias e várias aquela mesma pergunta... Porque não pode dizer que me ama?



Agradecimentos especiais:
Sonia Vogado que deu uma rápida betada pra mim. Um dia eu pago todas as sua comissões de revisadora oficial da mari . Corações proce querida.
E um também para a dona Mary que sempre me influencia com uma musica super inspiradora que me poem nesse trabalho paralelo.


Agradecimentos normais e queridos para todos aqueles que leram. Quem deixar comentários sabe que será mais amado pela autora. ^~