Páginas

Pequena confissão

Fechei meus olhos com força, não queria, mas o fiz. Precisa saber se isso era apenas um sonho. Ouvi sua voz perto da minha orelha e eu apenas ri e abri os olhos, você estava lá, rindo da minha patética atitude. Como se fosse uma brincadeira de criança, você se pões a imitar. A noite passou de maneira acelerada, as estrelas sobre nossas cabeças e nossos olhos abrindo e fechando numa grande velocidade. Apenas para constatar, que aquilo não era um sonho.

O filme era o que menos importava, apreciava mais ver as suas feições com cada nova cena. Às vezes, podia sentir-te olhando-me de lado, e eu voltava minha misera atenção ao filme, mas ambos sabíamos que não iria durar muito. Era uma divertida brincadeira de pique esconde, no qual a graça era ser apanhado e dar um leve sorriso envergonhado e voltar a fazer.

O piquenique estava delicioso, mas acho que preferia ver-te apreciando cada colherada do que comer. Ia sendo devagar, eu ia te dando cada uma delas e mesmo ao te ouvi reclamar sobre gorduras, eu continuava vendo a expressão de deleite em seus olhos.

A musica tocava, minhas mãos estavam ao redor do seu corpo. Íamos devagar pelo salão, junto de outros milhões de casais, mas apenas nos dois importávamos. Meu rosto colado ao seu, seu cheiro entrando pelo meu nariz, embriagando devagar, nossos corpos deixando serem embalados pelo ritmo. Aquele foi o momento em que mais pude te entender, e me entender. Mesmo sem termos trocado uma única palavra.

Fechei meus olhos com força, não queria, mas o fiz. Precisa saber se era apenas um sonho. Contudo ao os reabrir, você não estava mais lá... Sua voz e nossa brincadeira de criança tinham desaparecido. Não importava o quanto eu abrisse e fechasse os olhos, você não voltou a reaparecer na minha frente com um sorriso e a voz doce.
O filme era o que menos importava, olhava para o meu lado...vazio. Procurava tentar te imaginar, sem conseguir muito sucesso, pois nem a minha imaginação mais perfeita chegaria aos seus pés. Olhava sem jeito para o chão, pois você não estava lá e eu tentava te reinventar.

O piquenique estava delicioso. Ia apreciando as colheradas. Podia sentir meus olhos contentes por sentir o doce gostoso escorrendo pela minha garganta. Porém, não havia seus olhos ainda mais doces para me olhar e brigar por comer tudo só ou querer dar-lhe todo o doce. Apenas um pano estendido, para uma única e simples pessoa que comia calmamente.

A música tocava, minhas mãos estavam ao redor do meu corpo. Ia devagar pelo salão ao redor de um milhão de casais, todos eles importavam mais do que eu. Sem cheiro, sem rosto colado, sem você. Essa foi a noite que mais entendi de mim, sem mesmo ter tido um único pensamento completo.

A nova mão está colada a minha. A rua parecia não ter fim, e vamos conversando. Amantes recente descobertos. Eu sorri mais do que conseguia me lembrar, estava tudo fluindo de maneira tão natural, que eu conseguia ver a felicidade pulando dos nossos olhos. Contudo, eu vou sentir falta de você. Sim, eu vou. Não importa com quem esteja ou quem seja agora. Eu continuarei te amando. Eu apenas queria que você soubesse...

***
Devagar espero voltar a escrever pequenos contos ou grandes histórias que deixam a todos felizes ou nos façam refletir por um segundo.
Esse pequeno conto é dedicado a minha amiga Ale por ter me dado a insipiraçao de volta (ou como nos diriamos, minha mente de volta ao meu corpo) com uma simples frase. Obrigada!
beijos a todos

3 comentários:

はたけ Nina disse...

Ja fazia um bom tempo que nada tao bom aparecia por aqui! :)

Muito misterioso e bem escrito, como sempre.

Beijosss **

Paulo Campos disse...

Concordo...
"misterioso e bem escrito"
Fantástico =)
Voltou com gás!

Mary Cagnin disse...

Ai Mari que coisa mais linda e triste... sempre gosto das coisas q vc escreve pq são tão tocantes e realmente nos fazem pensar! Continue sempre escrevendo e não pare nunca... amarre uma cordinha na sua mente, pq se ela decidir sair do seu corpo de novo, basta puxa-la de volta.. hahaha eu e as resoluções simples pra vida =)