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Baile dos mascarados

No meio daquela escura noite do baile de carnaval, as duas pessoas se miravam através das mascaras coloridas e sorriam. Por uma noite, tudo seria diferente: ela não se importaria dele ser seu namorado ou um estranho; ele não se importaria com a personalidade dela para lhe beijar os lábios rosados.
A música os embalava para chegarem mais perto. O álcool os fazia querer mais. Ele sorriu a ela, a menina apenas retribuiu, passando as mãos pelos braços dele. O menino num impulso a puxou para um beco e a trouxe para si. O beijo foi intenso e suas mãos não se contiveram e rodaram pelos corpos. As mascaras ainda continuavam nos seus rostos, assim como a festa...

Quem é você?Adivinha se gosta de mimHoje os dois mascarados procuram os seus namorados perguntando assim:

Na manha seguinte, ela acordou com algumas marcas pelo pescoço e apenas sorria. Tinha poucas memórias de como tinha sido a festa ou como tinha chegado á sua casa. Contudo, lembrava perfeitamente do misterioso menino de cabelos pretos o qual tinha sido tão gentil com ela.
Ela estava ainda deitada na cama, lembrando-se da festa, ou lembrando do menino da festa. A menina estava procurando suas amigas, trocava os pés pela rua... Suas amigas tinham desaparecido, tão bêbadas quanto ela pelas ruas e agora ela estava ali sozinha. Estava cansada e se encostou à um murinho tentando descansar, quando notou que o muro, na verdade, se mexia. Pediu desculpas, tentou se afastar, mas algo naqueles olhos a manteve presa. Ele se aproximou e cuidou dela, depois disso, era apenas beijos. Bom, mas era só até ai que recordava...
-Luiza... Gustavo está aqui e quer te ver. – ela sorriu, quem melhor do que seu melhor amigo para conversarem.
Quem é você, diga logo......que eu quero saber o seu jogo ...que eu quero morrer no seu bloco... ...que eu quero me arder no seu fogo
Ele tinha chegado à casa, meio bêbado e só tinha procurado sua cama. Essa tinha sido a melhor noite de sua vida e queria a repetir... Entretanto, não conhecia a moça e só conseguia lembrar-se de alguns detalhes.
O menino ficou lembrando do que lhe tinha acontecido... Estava parado bebendo, nenhum dos seus amigos tinha vindo, então tinha ficado parado ali a noite inteira entornando bebida atrás de bebida, apenas observando os outros.
Até que aquela menina se encostou nele... Não pode acreditar no qual fofa ela parecia. Quando notou, a garota estava completamente envergonhada, mas ao mesmo tempo ela lhe sorria. Foi educado e lhe perguntou se estava bem, cuidando dela um pouco, mas logo que a menina pareceu bem, os cuidados se tornaram diferentes. O resto da noite foi apenas um borrão, mas o que realmente importava era aquilo.
Estava perto da hora do almoço quando ele decidiu sair. Iria visitar uma amiga, precisava conversar com ela. Só para contar, ou talvez até mesmo saber o que eu poderia fazer para reencontrar aquela misteriosa menina.
As ruas pareciam mais distantes, talvez porque tinha pressa de chegar rápido ao seu destino. Quando finalmente viu a casa amarela com o muro deu uma pequena corrida para tocar a campainha.
-Sim? – respondeu a senhora ao atender.
-Oi...Posso falar com a Luiza?
Ela foi até o pé da escada e deu um grito.
- Luiza... Gustavo está aqui e quer te ver. – ela me olhou e apontou as escadas, como que indicasse para eu subir.
-Obrigada Tia.
Não me contive e subi os degraus.


Eu sou seresteiro, poeta e cantorO meu tempo inteiro, só zombo do amorEu tenho um pandeiroSó quero um violão
Ao ouvir a voz de sua mãe, ela pulou da cama e vestiu algo mais decente, short e um blusão serviram bem ao caso. Luiza não queria que seu amigo a visse com aquela camisola ridícula da infância.
Ouviu os passos pela escada, arrumou o chão que tinha roupas da noite anterior ainda espalhados. Colocou tudo junto da mascara. Depois disso, sentou-se na cama e ficou encarando a porta esperando ele entrar.
Três batidas, era ele com certeza. Ela sorria e disse para entrar. Assim que Gustavo o fez, ela o mirou, e seus olhos ficaram presos na doçura dos dele. Luiza ficou surpresa, podia não lembrar de quase nada da noite passada, mas o que ficara gravado em sua mente, fora aquele olhar... Ela o mira ainda sem entender.
Gustavo tinha sido seu melhor amigo desde que se entendia por gente. Quando eram pequenos tinham estudado juntos. Eles eram inseparáveis, mesmo seus gostos sendo um pouco diferentes. A amizade deles ficou um tempo abalada, pois os pais dele tinham decidido se separar (ele pouco comentava isso e ela nunca entendera bem o motivo do divorcio). Nessa época, Gus fez tatuagem pircing e decidiu andar com os meninos mais barra pesadas, ela tentava lhe dar todo o apoio, mas ele apenas queria fugir do mundo.
No final, eles tinham voltado para o ponto de partida. Conversavam bastante, mas como cada qual tinha seguido para uma faculdade não possuíam mais aquela freqüência de convivência. Por isso, tinham feito uma promessa, sempre que algo novo aparecesse eles seriam os primeiros a saber e que todo sábado era o dia sagrado deles.

Eu nado em dinheiroNão tenho um tostão...Fui porta-estandarte, não sei mais dançarEu, modéstia à parte, nasci prá sambarEu sou tão menina
Fez o código secreto, mesmo tendo sido anunciado, não iria ‘invadir’ o quarto de uma menina. Esperou o sinal positivo e assim que adentrou ele foi sentando, ao notar o olhar de espanto dela parou.
-Algo errado? – a mirou de cima abaixo e seus olhos param nas marcas em seu pescoço.
Gustavo podia não se lembrar de muita coisa da noite passada, mas com certeza lembrava daquele momento e do cheiro da menina.
Para ele, Luiza sempre fora a menina ideal para se manter ao lado. Ela era leal e uma excelente amiga, além de ser muito bonitinha. Quando era pequeno, sempre tivera problemas de comunicação e ela tinha sido a primeira pessoa a ser gentil com ele. Logo depois disso, seus pais se separam porque sua mãe tinha outra pessoa, a verdade era que mais tinha sido uma fuga com outro homem e o novo bebe deles... Nessa face, a amiga tinha se tornado a perfeita patricinha e tudo o que ele queria era esquecer da vida, então se afastaram. Contudo, por mais que tentasse ele não poderia esquecê-la, então acabou que aos poucos ele se reaproximou dela.


Meu tempo passouEu sou colombinaEu sou pierrô
Eles ficaram se encarando por algum tempo. Parecia que ambos viam a história de suas vidas passando bem ali, e ao mesmo tempo que tinham essa visão viam tudo ser destruído por uma bebedeira e um par de mascaras.
As palavras não saiam e os olhares continuavam ali sem se desgrudarem um segundo sequer. Ela piscou algumas vezes e passou a mão pelo pescoço, como se quisesse esconder as marcas, ele jogou o cabelo negros na frente dos olhos.
-Eu... Não, você primeiro...Não você- ambos falaram ao mesmo tempo.
Um silencio desconfortável ficou entre eles. Os pensamentos deles estavam embaralhados, sua amizade estava em risco e tudo dependeria das palavras que sairiam em seguida.

Mas é carnaval, não me diga mais quem é vocêAmanhã tudo volta ao normalDeixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiarQue hoje eu sou da maneira que você me querO que você pedir eu lhe douSeja você quem for, seja o que Deus quiserSeja você quem for, seja o que Deus quiser

Ele resolveu começar e arriscar.
-Estávamos bêbados! E foi muito divertido, certo? – ela afirmou que sim ainda o mirando, mas muda. –vamos apenas continuar como estamos e o que aconteceu, aconteceu. O dia raiou e hoje já somos nos mesmos..
-É...Você esta certo... – ela sorriu. – Amigos, certo?
-Certíssima! – ele sorriu de volta. – bom, acho que o que eu vim contar...já foi dito!
Ambos sorriam envergonhados. Gustavo se levantou e fez o caminho da porta.
-Uh...Gus?
-Sim?- ele parou de imediato.
-Era carnaval...Hoje tudo volta ao normal! Mas ano que vem tem carnaval...
O sorriso de Luiza era largo e seu corpo estava escondido atrás do travesseiro que abraçava. Gustavo sorriu abertamente, quase que correspondendo ao sorriso.... Era o baile dos mascarados, onde sentimentos escondidos vinham a tona, graças a identidade escondida atrás de lindas máscaras coloridas...


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Comentários:
História : Rei Owan
Música: Chico Buarque (Baile dos mascarados)
Fiz para o aniversário de um amigo. Espero que ele tenha gostado!

Um comentário:

clickmi disse...

oi adorei seu blog dei uma passadinha e te add bjos.