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Todos somos estranhos



Em versos branco,
um poema modernista
tenta explicar que:
todos
somos
estranhos.


Os espelhos mostram
a imagem
que os outros notam.
Porém,
queremos ir além...


Queremos ser
mais do que
uma imagem,
uma beleza artificial,
uma personalidade falsificada.

Queremos ser
estranhos
e
ainda
sim
sermos
Nós mesmos.

A melhor coincidência

O ano começou e tinha tudo para dar certo. Eu parecia ter toda a sorte do mundo em 2008, pena que as aparência enganam.
Para começar, bem, eu tinha passado para uma faculdade pública que não era minha primeira opção (na verdade, era a última), mas era publica e eu ia fazer minha amada biomedicina. Contudo, só aquilo não me bastava. Eu queria ir além, então, resolvi que mesmo com uma boa opção em mãos queria e tentaria de novo.
Voltei a rever meus amados professores, só que agora sem o estresse do ano passado. Eu ia ás aulas para me divertir e aprender. Para minha surpresa, isso me fez saber muito mais do que antes. Era tão bom! Isso também devia-se, em grande parte, ao fato do reencontro com velhas amizades.
Não lembro bem o mês, mas sei que foi durante a semana. Eu estudava... bom, não vou mentir, eu jogava no computador, mas eu devia estar estudando, então shhhhh... segredo! Onde eu tava? Ah sim, jogando... Daí o telefone tocou e era outra universidade. Eu tinha passado em duas! Meus olhos brilhavam e acho que chorei de emoção. Eram duas das quatro que eu tentei. Minha mãe foi a primeira a saber, lembro dos gritos no telefone. Foi muito hilário.
Para comemorar, meus pais decidiram fazer uma viagem. Bom, meu pai tinha que ir trabalhar fora e decidiu me levar, mas foi tudo tão mágico. Foram as melhores semanas até então.
Quando voltei havia fotos, presentes e novidades, muitas novidades. O ‘msn’ era enlouquecedor, todo mundo (bando de fofoqueiros ) queria saber o que tinha acontecido comigo. Daí eu contava, me senti popular pela primeira vez na vida. Quase uma pop star. Ok, eu e meus exageros!
Uma amiga acabou insistindo para eu fazer uma página na internet para colocar as melhores fotos e contos, entretanto quando entrei vi que as pessoas colocavam mais seus desenhos (na época, eu não sabia como funcionava a página temperamental chamada DA) Minha vontade era de não fazer a pagina, pois nunca achei que tivesse muitas habilidades artísticas, mas por fim, decidi tentar, afinal não iria me matar. Fiz! Era estranho no começo, porque só as minhas amigas mais intimas comentavam e isso me deixava meio deprê.
Enquanto eu começava a explorar o DA, veio mais resultados das faculdade. EU tinha passado em três, a última conhecida como uff. Eu fiz minha decisão; Parei o cursinho, ia aproveitar umas semanas em casa! Achei que seria O máximo e que faria tudo o que não fiz em 2007, mas... Não foi bem assim!
Fiquei entediada, presa em casa porque todas as minhas amigas estavam estudando ou pro vestiba ou nas faculdades. Minha grande diversão passou a ser desenhar, escrever , falar com as minhas amigas de longe e mexer no DA.
Lembro que era noite, eu estava novamente no DA. Era meio chato ficar lá, porque quase todo mundo que eu conhecia era estrangeiro. Então, viva o inglês! Na verdade, o que mais me deprimia era não encontrar pessoa do meu pais. Enquanto pensava nisso, eu vi um lindo desenho de Karin First Love. Babei na hora, acho que nem um babador daria um jeito para me ajudar. Cliquei na foto e fiquei vendo os trações e os detalhes.
Desde aquele momento, me senti atraída por aquela imagem. Já tinha visto desenhos lindos, mas aquele era mais. Eu tinha me apaixonado pelos traços, era uma mistura de anime com traços originais. Acredite ou não, era meu sonho fazer algo naquele gênero – claro que não chegaria nem perto daquele- Para minha surpresa, ali embaixo, vinha o seguinte comentário “ bla bla bla bla ... feito a lápis de cor... bla bla bla” voltei e fiquei sem acreditar na paciência do maluco, o desenho era detalhado e perfeito, eu tinha mais inveja da paciência do que do talento ( ok eu tinha dos dois!!!) Depois caiu a ficha, o autor era brasileiro, ou pelo menos falava a minha língua. Fui á pagina principal e vi o nickname: justmaryy... era uma menina, afinal das contas. Comecei a ler curiosa coisas aleatórias da pagina dela quando meus olhos pararam em seu nome, que coincidência Mariana e fazia vestibular (mesmo eu tendo parado, ainda achava fantástico essas semelhanças) continuei a ler e tomei uma decisão... deixar um comentário. Porém, eu a primeiro momento sou muito tímida e não sabia o que dizer, então apenas escrevi que tinha amado a galeria e que tínhamos coisas em comum. Para ser sincera eu a achei simpática, mas jamais imaginei que viria uma resposta.
Tempos depois, ok mentira, no dia seguinte mesmo veio uma resposta acompanhada de um watch (isso pro site representa amizade) Ela estava falando super meiga comigo e eu achei aquilo tão legal. É raro encontrar pessoas assim.
Bom, mas acabou que o papo morreu e o tempo foi passando, ás vezes eu comentava nos desenhos dela, mas eu era mais uma em um milhão (ela é bemmmmmmmmmm popular) Contudo, a cada comentário sempre vinham respostas dela.
Até que um dia, ela começou uma HQ. Eu achei brilhante e penso secretamente que ela deveria publicar a historia, mas...continuando. Comecei a ler e achei fantástico. Os personagens tem um brilho e ela conseguiu fazer uma coisa muito difícil, fugiu do clichê das historias românticas. Posso dizer como toda a certeza do mundo, sou fã de carteirinha da história dela (apesar de ainda discordar do titulo hahahaha)
Foi quando em um dos meus comentários escapou meu hobby pela literatura, principalmente pela minha literatura. Na mesma hora, ela se mostrou interessada em ler. Não posso dizer que compartilhei desse entusiasmo, porque fiquei insegura – a história estava tão parada- mas já tinha aberto meu bocão mesmo, então resolvi mandar.
Nisso de querer ler, trocamos nossos MSN, o que nos fez conversar bastante. Finalmente, ela me cobrou a fic, eu mandei e exatas 24 h depois me apareceu comentários dela pedindo por mais. Em menos de duas semanas, ela leu as 150 folhas que eu escrevi e passou a ameaçar minha vida se eu não continuasse. Aquilo significou parra mim muito mais do que já disse, ela me trouxe de volta o ânimo pela escrita e me mostrou que há pessoas que gostam de chorar por um drama.
Depois de ela ter, praticamente, comido o computador lendo, começamos a conversar e saber mais uma da outra. Foi á que notamos que as coincidências não terminavam no nome. Nós tínhamos tanto em comum que brincávamos de escrever o livro das coincidências. Era estranho tudo isso para mim, porque eu queria saber mais coincidências e quando algo era diferente eu pensava “ ah! droga!”. Porém, aquilo nos tornava diferentes, únicas, mas ligadas por um estranho fio de coisas parecidas
Como toda boa historia Hollywoodiana, veio um momento no qual nos duas fomos abaladas por pessoas que amávamos. Para mim, essa era uma coincidência da qual eu queria tê-la poupado, mas o destino nos fez passar por isso juntas. Acho que a ajudei de alguma forma -todos dizem que eu sou uma palhaça e acho que conseguia animar as suas noites. Entretanto, sei o aquela fez por mim. Ela me ouviu e ainda por cima me aceitou com todos os meus segredos, me aceitou como sou. Aquilo representou mais para mim do que mil abraços ou consolos.
Talvez para superarmos a crise nos focamos em livros. Sempre fui fanática por eles, então, eu indiquei alguns e a Mary decidiu começar pelo de vampiros. Antes que nos déssemos conta, estávamos envolta por folhas, idéias ,desenhos. Quando dei por mim, tinha anúncios no DA sobre a história que nos duas estávamos fazendo baseada naquele livro que eu tinha indicado. Sinceramente, eu no começo pensei que fosse uma forma de fugir do mundo real e de todos os problemas que eu tava passando, mas não era. Eu tinha me apaixonado por nossos personagens e pela maneira dela de escrever e, e como de uma maneira estranha sempre pensávamos as mesmas coisas ou tínhamos as mesmas idéias. Contudo, eu me encantei pela historia, porque na verdade, foi uma forma de conhecer um pouco mais a Mary e dela me conhecer.
Agora no final do ano, a gente não anda se vendo muito e eu tenho saudades dela, mas entendo que é a carreira dela e esperarei o tempo que precisar.
Uma vez li que um amigo é um presente que se dá a si mesmo. Outra vez li que quando duas pessoas soa feitas uma para outra, um laço vermelho as une. O que eu posso dizer? Você foi minha dádiva, o melhor presente que eu podia receber! E acho que estamos conectadas, mesmo que não seja um laço vermelho, há algo mais resistente que nos atrai. Uma coincidência nos uniu, várias outras nos mantiveram juntas. Você foi a minha melhor coincidência.
Continuamos juntas, pois ainda há muito o que descobrir, muitas histórias para criar, muitos desenhos para fazer, muitos escravos para conquistar (nesse momento eu vejo Diego e Sam correndo para longe)
E para finalizar, vou plagear um grande autor. “Pela Mary, eu sou Edward, Victor, Mark, não apenas Mari, não mesmo. Sou tudo o que ela quiser, pois ela merece” feito por Mariana Cagnin. Porque nem a Demo-mor poderia ter dito melhor!

Baile dos mascarados

No meio daquela escura noite do baile de carnaval, as duas pessoas se miravam através das mascaras coloridas e sorriam. Por uma noite, tudo seria diferente: ela não se importaria dele ser seu namorado ou um estranho; ele não se importaria com a personalidade dela para lhe beijar os lábios rosados.
A música os embalava para chegarem mais perto. O álcool os fazia querer mais. Ele sorriu a ela, a menina apenas retribuiu, passando as mãos pelos braços dele. O menino num impulso a puxou para um beco e a trouxe para si. O beijo foi intenso e suas mãos não se contiveram e rodaram pelos corpos. As mascaras ainda continuavam nos seus rostos, assim como a festa...

Quem é você?Adivinha se gosta de mimHoje os dois mascarados procuram os seus namorados perguntando assim:

Na manha seguinte, ela acordou com algumas marcas pelo pescoço e apenas sorria. Tinha poucas memórias de como tinha sido a festa ou como tinha chegado á sua casa. Contudo, lembrava perfeitamente do misterioso menino de cabelos pretos o qual tinha sido tão gentil com ela.
Ela estava ainda deitada na cama, lembrando-se da festa, ou lembrando do menino da festa. A menina estava procurando suas amigas, trocava os pés pela rua... Suas amigas tinham desaparecido, tão bêbadas quanto ela pelas ruas e agora ela estava ali sozinha. Estava cansada e se encostou à um murinho tentando descansar, quando notou que o muro, na verdade, se mexia. Pediu desculpas, tentou se afastar, mas algo naqueles olhos a manteve presa. Ele se aproximou e cuidou dela, depois disso, era apenas beijos. Bom, mas era só até ai que recordava...
-Luiza... Gustavo está aqui e quer te ver. – ela sorriu, quem melhor do que seu melhor amigo para conversarem.
Quem é você, diga logo......que eu quero saber o seu jogo ...que eu quero morrer no seu bloco... ...que eu quero me arder no seu fogo
Ele tinha chegado à casa, meio bêbado e só tinha procurado sua cama. Essa tinha sido a melhor noite de sua vida e queria a repetir... Entretanto, não conhecia a moça e só conseguia lembrar-se de alguns detalhes.
O menino ficou lembrando do que lhe tinha acontecido... Estava parado bebendo, nenhum dos seus amigos tinha vindo, então tinha ficado parado ali a noite inteira entornando bebida atrás de bebida, apenas observando os outros.
Até que aquela menina se encostou nele... Não pode acreditar no qual fofa ela parecia. Quando notou, a garota estava completamente envergonhada, mas ao mesmo tempo ela lhe sorria. Foi educado e lhe perguntou se estava bem, cuidando dela um pouco, mas logo que a menina pareceu bem, os cuidados se tornaram diferentes. O resto da noite foi apenas um borrão, mas o que realmente importava era aquilo.
Estava perto da hora do almoço quando ele decidiu sair. Iria visitar uma amiga, precisava conversar com ela. Só para contar, ou talvez até mesmo saber o que eu poderia fazer para reencontrar aquela misteriosa menina.
As ruas pareciam mais distantes, talvez porque tinha pressa de chegar rápido ao seu destino. Quando finalmente viu a casa amarela com o muro deu uma pequena corrida para tocar a campainha.
-Sim? – respondeu a senhora ao atender.
-Oi...Posso falar com a Luiza?
Ela foi até o pé da escada e deu um grito.
- Luiza... Gustavo está aqui e quer te ver. – ela me olhou e apontou as escadas, como que indicasse para eu subir.
-Obrigada Tia.
Não me contive e subi os degraus.


Eu sou seresteiro, poeta e cantorO meu tempo inteiro, só zombo do amorEu tenho um pandeiroSó quero um violão
Ao ouvir a voz de sua mãe, ela pulou da cama e vestiu algo mais decente, short e um blusão serviram bem ao caso. Luiza não queria que seu amigo a visse com aquela camisola ridícula da infância.
Ouviu os passos pela escada, arrumou o chão que tinha roupas da noite anterior ainda espalhados. Colocou tudo junto da mascara. Depois disso, sentou-se na cama e ficou encarando a porta esperando ele entrar.
Três batidas, era ele com certeza. Ela sorria e disse para entrar. Assim que Gustavo o fez, ela o mirou, e seus olhos ficaram presos na doçura dos dele. Luiza ficou surpresa, podia não lembrar de quase nada da noite passada, mas o que ficara gravado em sua mente, fora aquele olhar... Ela o mira ainda sem entender.
Gustavo tinha sido seu melhor amigo desde que se entendia por gente. Quando eram pequenos tinham estudado juntos. Eles eram inseparáveis, mesmo seus gostos sendo um pouco diferentes. A amizade deles ficou um tempo abalada, pois os pais dele tinham decidido se separar (ele pouco comentava isso e ela nunca entendera bem o motivo do divorcio). Nessa época, Gus fez tatuagem pircing e decidiu andar com os meninos mais barra pesadas, ela tentava lhe dar todo o apoio, mas ele apenas queria fugir do mundo.
No final, eles tinham voltado para o ponto de partida. Conversavam bastante, mas como cada qual tinha seguido para uma faculdade não possuíam mais aquela freqüência de convivência. Por isso, tinham feito uma promessa, sempre que algo novo aparecesse eles seriam os primeiros a saber e que todo sábado era o dia sagrado deles.

Eu nado em dinheiroNão tenho um tostão...Fui porta-estandarte, não sei mais dançarEu, modéstia à parte, nasci prá sambarEu sou tão menina
Fez o código secreto, mesmo tendo sido anunciado, não iria ‘invadir’ o quarto de uma menina. Esperou o sinal positivo e assim que adentrou ele foi sentando, ao notar o olhar de espanto dela parou.
-Algo errado? – a mirou de cima abaixo e seus olhos param nas marcas em seu pescoço.
Gustavo podia não se lembrar de muita coisa da noite passada, mas com certeza lembrava daquele momento e do cheiro da menina.
Para ele, Luiza sempre fora a menina ideal para se manter ao lado. Ela era leal e uma excelente amiga, além de ser muito bonitinha. Quando era pequeno, sempre tivera problemas de comunicação e ela tinha sido a primeira pessoa a ser gentil com ele. Logo depois disso, seus pais se separam porque sua mãe tinha outra pessoa, a verdade era que mais tinha sido uma fuga com outro homem e o novo bebe deles... Nessa face, a amiga tinha se tornado a perfeita patricinha e tudo o que ele queria era esquecer da vida, então se afastaram. Contudo, por mais que tentasse ele não poderia esquecê-la, então acabou que aos poucos ele se reaproximou dela.


Meu tempo passouEu sou colombinaEu sou pierrô
Eles ficaram se encarando por algum tempo. Parecia que ambos viam a história de suas vidas passando bem ali, e ao mesmo tempo que tinham essa visão viam tudo ser destruído por uma bebedeira e um par de mascaras.
As palavras não saiam e os olhares continuavam ali sem se desgrudarem um segundo sequer. Ela piscou algumas vezes e passou a mão pelo pescoço, como se quisesse esconder as marcas, ele jogou o cabelo negros na frente dos olhos.
-Eu... Não, você primeiro...Não você- ambos falaram ao mesmo tempo.
Um silencio desconfortável ficou entre eles. Os pensamentos deles estavam embaralhados, sua amizade estava em risco e tudo dependeria das palavras que sairiam em seguida.

Mas é carnaval, não me diga mais quem é vocêAmanhã tudo volta ao normalDeixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiarQue hoje eu sou da maneira que você me querO que você pedir eu lhe douSeja você quem for, seja o que Deus quiserSeja você quem for, seja o que Deus quiser

Ele resolveu começar e arriscar.
-Estávamos bêbados! E foi muito divertido, certo? – ela afirmou que sim ainda o mirando, mas muda. –vamos apenas continuar como estamos e o que aconteceu, aconteceu. O dia raiou e hoje já somos nos mesmos..
-É...Você esta certo... – ela sorriu. – Amigos, certo?
-Certíssima! – ele sorriu de volta. – bom, acho que o que eu vim contar...já foi dito!
Ambos sorriam envergonhados. Gustavo se levantou e fez o caminho da porta.
-Uh...Gus?
-Sim?- ele parou de imediato.
-Era carnaval...Hoje tudo volta ao normal! Mas ano que vem tem carnaval...
O sorriso de Luiza era largo e seu corpo estava escondido atrás do travesseiro que abraçava. Gustavo sorriu abertamente, quase que correspondendo ao sorriso.... Era o baile dos mascarados, onde sentimentos escondidos vinham a tona, graças a identidade escondida atrás de lindas máscaras coloridas...


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Comentários:
História : Rei Owan
Música: Chico Buarque (Baile dos mascarados)
Fiz para o aniversário de um amigo. Espero que ele tenha gostado!