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O conto da Lua.


As chamas, dos postes de metal levemente trabalhados, tremiam constantemente por causa das rajadas fortes de vento, as ruas de pedras esburacadas estavam cobertas de lama em função da chuva que caíra a pouco. O relógio da Igreja badalou indicando que já era tarde. Não se via nenhuma carruagem nas ruas ou pessoas, exceto um casal que andava grudado.
A menina andava cambaleante precisando segurar nos braços do namorado para não cair, talvez pelo sapato com salto muito fino. Apesar do frio congelantes ela sorria amavelmente por ter o namorado a lhe proteger de tudo, inclusive do frio. Conversavam animadamente sobre algo enquanto iam para casa.
Entretanto no meio de toda aquela alegria podia-se ouvir ao longe o choro. Seguiram o som e encontraram uma criança sentada embaixo de um toldo com o rosto coberto em lagrimas. Ambos pararam e o homem falou.
-O que acontecestes com vos?
-...- o menino recoso o olhou e ficou longos minutos em silêncio. – perdi-me...quero ir para casa...
A mulher olhava o amado e a criança tentando imaginar uma maneira de ajudá-lo e com a voz doce sugeriu.
-Lembra a rua onde mora? – o pequeno afirmou – então, querido, porque não o leva em casa?
-Mas e tu? – perguntou ele incerto.
-Ficarei bem aqui... Alem do mais meus pés me doem para caminhar mais. – ela sorriu e ele não conseguiu lhe negar o favor.
O homem pegou o pequeno e ouvindo as discrições foi seguindo pelas ruas. A moça ficou em pé ali a esperar. O calor que antes a protegia tinha sumido deixando apenas o frio das rajadas. As velas iam aos pouco se apagando e os ventos apenas aumentavam a sua intensidade, até que em um momento já não havia mais luz nas ruas. Se já não bastasse o breu que a ausência do fogo causava, uma enorme nuvem se instalou fazendo uma terrível escuridão cair.
A jovem assustada olhava para os lados nervosamente, parecia querer gritar de tanto desespero. O tempo parecia passar depressa e a ansiedade fez com que ela começasse a andar sem rumo seus passos eram incertos e sujam a barra do lindo vestido, por não enxergar por vezes quase caiu. Em uma dessas vezes precisou agarrar a alguma coisa próxima, senão iria se machucar. Encostou-se no que quer que fosse e ficou a se abraçar.
-Volta...- pediu ela com a voz trêmula, olhando para onde julgava que o namorado fosse aparecer.
Entretanto seu desejo não se concretizou e a escuridão apenas parecia aumentar, assim como o vento e o medo dela. Foi então, que ela mirou o céu e viu a nuvem voar para longe deixando passar alguns feixes de luz. Esta era suave, delicada, cobria tudo com uma cor prateada. A jovem sentiu-se mais calma ao conseguir ver o que havia em volta. Os olhos acastanhados brilharam em admiração a paisagem que se formava, pois parecia tão perfeita. Encostou-se e ficou vendo aquilo admirada, sob a única luz que poderia existir naquele momento.
Ouviu alguém gritando seu nome e virou-se para ver o namorado caminhando a passos firmes e olhar preocupado. Ela lhe acenou sorrindo, como apenas ela fazia. Naquele momento, ela parecia um anjinho com aquele vestido branco, o cabelo levemente despenteado e com o luar a lhe bordar, nem parecia a mesma pessoa de momentos antes.
Ele caminhou até ela e o abraçou, sussurrou palavras que apenas ela escutou, e que se perderam no vento. Sob aquele luar voltaram a caminhar abraçados e sorridentes. A mocinha ainda olhava o céu a contemplar a lua.
Não sei o que ela pensava, apenas sei o que percebi naquela noite. Algo tão simples a tal ponto que poucos notam. Mais importante que a luz do Sol, que espanta a escuridão da noite, é a luz da Lua que nos guia pela escuridão...


Notas da autora: Para minha querida amiga Ju que fez niver dia 07/05. Te adoro muito amiga!!!!!

Obrigada pelos comentários e espero que gostem de mais um conto!