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Sem luar, sem estrelas.

A noite estava, nem a lua ousava fazer companhia para aquela pessoa que caminhava pelas ruas esburacadas, mal-iluminadas e completamente desertas. Tinha em mãos um buquê de rosas tão grande que lhe tapavam, o rosto e os olhos tristes. A pobre alma caminhava ate uma praça vagamente iluminada por antigos lampiões. Sentou-se no banco principal e permaneceu imóvel por um longo tempo, apenas lembrando do passado não tão distante. Os olhos foram ficando marejados, mas não chorou. Homens não choram.
Abaixou a cabeça olhando as pedras no chão, sentindo algumas gotas caírem perto dele. Levantou para observar e um gosta caiu exatamente sobre seus olhos e escorreu como se fosse um lagrima. A chuva aumentou e ele aproveitou as gostas para esconder seu choro. Esta não durou muito, mas fez grandes estragos no interior do homem sentado.
As rosas ficaram, cuidadosamente sobre o banco. A pessoa levantou-se e caminhou de volta ao local onde vivia. A casa fria e solitária. Algumas gotas escorriam pelo rosto, mas era impossível saber se eram chuva ou lagrima. Olhou o céu escuro, tão escuro quanto os olhos da pessoa que amava, foi quando viu um pequeno ponto brilhante no meio da imensidão.
Deu um sorriso. A noite estava sem estrelas. Caminhou para casa já não se sentindo tão sozinho.